Os desafios para a expansão da medicina de precisão no Brasil

Aos 70 anos de idade, Dona Salomé passou a vida fazendo tratamentos com o uso de medicamentos para a depressão, mas sem um resultado satisfatório para ela. Já tinha até desistido quando aceitou fazer um exame farmacogenético.

Com o resultado do exame, seu médico descobriu que o corpo dela tinha dificuldade em metabolizar os remédios. Após um ajuste na dosagem, ela logo viu melhora. “Hoje eu consigo fazer planos, uma coisa que não fazia antes”, disse a paciente durante o evento Medicina de Precisão: Tendências e Desafios, organizado pela Eretz.bio.

A medicina de precisão é um novo conceito na área da saúde. Consiste, entre outras ferramentas, no uso de análise de dados e de testes genético-moleculares, como o feito por Dona Salomé, para que os pacientes tenham uma jornada personalizada, com diagnósticos mais precisos e tratamentos mais eficazes.

Só que a história de Dona Salomé é uma exceção do que acontece no Brasil. Hoje, a medicina de precisão está longe de estar acessível à maior parte da população.

Startups que atuam nesse campo enfrentam inúmeras barreiras. É o que relatou Guido Boabaid May, da GnTech (que tratou a Dona Salomé), e Marcos Santos, fundador da Onkos Diagnósticos Moleculares, que desenvolveu um classificador molecular baseado em microRNA capaz de evitar cirurgias desnecessárias nos pacientes com nódulo na tireoide.

Durante o evento, eles disseram que as startups brasileiras desenvolvem soluções de alta qualidade, mas que enfrentam desconfiança no mercado, dificuldade para reter colaboradores qualificados e falta de políticas que incentivem a área.

“Para empreender aqui no país, a jornada é muito mais complexa e a startup precisa garantir que sua solução funcione”, acrescentou o Dr. Alessandro Leal, head do Centro de Medicina de Precisão do Hospital Israelita Albert Einstein.

Como expandir a medicina de precisão?

Para acelerar o desenvolvimento de inovações na área, Mariana Brait, diretora-assistente na escola de medicina da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, indicou que precisa haver uma maior interação entre academia e indústria.

Já Isabel Furquim Pinheiro, medical lead na área de doenças raras da Pfizer, disse que a farmacêutica oferece grants e passou a apoiar centros de medicina de precisão na América Latina como forma de contribuir com o ecossistema.

O evento Medicina de Precisão: Tendências e Desafios contou, ainda, com a participação dos ouvintes, que eram convidados a se juntar aos palestrantes para uma grande roda de discussão, conforme tinham dúvidas ou posicionamentos.

Fique ligado nos canais da Eretz.bio, onde vamos divulgar os próximos Innovation Day. https://eretz.bio/eventos/

E assista ao Medicina de Precisão: Tendências e Desafios na íntegra abaixo:

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